Doutor Sono

Elenco: Ewan McGregor, Rebecca Ferguson, Cliff Curtis, Kyliegh Curran

Direção: Mike Flanagan

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A tarefa de revisitar ou continuar histórias de grandes clássicos do cinema pode ser ingrata para alguns diretores, seja pela frequente não aceitação do público em ver algo bem estabelecido ser mudado, como também pela falta de necessidade e de conteúdo que faça sustentar uma narrativa própria. Mike Flanagan tinha a missão de mudar tal estigma ao aceitar a direção de “Doutor Sono”, continuação direta de “O Iluminado” (1980), filme consagrado de Stanley Kubrick, fazendo com que as características primordiais do original fossem mantidas na sequência sem parecer que fosse apenas um projeto cópia sem carisma próprio, objetivo este alcançado pelo diretor.

Reprodução: Warner Bros.

Flanagan, que teve a recente experiência com o terror na série da Netflix “A Maldição da Residência Hill”, prova que veio para se tornar uma referência no gênero de uma vez por todas com mais uma adaptação de obra literária, desta vez de Stephen King. Embora ele consiga repassar sua própria visão do mundo, muitas das características do clássico estão ali presentes, como o uso da trilha sonora original do Hotel Overlook, cortes com o mesmo enquadramento que geram a expectativa da repetição dos acontecimentos prévios, entre outros.

Reprodução: Warner Bros.

A história também consegue cativar o espectador, introduzindo com sucesso novos elementos na franquia aprofundando o universo em que estão presentes, principalmente pela personalidade de Danny Torrence (Ewan McGregor) que arca com as consequências traumáticas que viveu previamente. O novo se dá pelo fato de ele servir como um bastião, um guia para Abra (Kyliegh Curran), uma criança que possui a mesma “iluminação” que ele e que é perseguida por seres que se alimentam disto visando uma longevidade.

O filme consegue criar uma expectativa e uma ansiedade em quem assiste para saber o próximo acontecimento, fazendo com que suas duas horas e meia de exibição não sejam sentidas. O uso de batidas que simulam o pulsar de um coração em meio a situações de tensão, nos deixa desconfortáveis e com um temor do que pode acontecer com os personagens, todos muito carismáticos a sua própria maneira.

Reprodução: Warner Bros.

Doutor Sono é a prova de que, quando a continuação é bem fundamentada em seu material fonte aliada ao fato de ter uma direção que sabe impor sua visão, tem de tudo para agregar elementos ao mundo em que ele é inserido. Tem de tudo para ser um novo clássico do terror psicológico daqui há alguns anos, bem como foi seu antecessor.

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5/5 – Excelente!

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